segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Questões Pertinentes ao FPSSP.

Haveria ainda passagem a fazer desde este poder sobre a vida para afirmar o poder da vida? Como, do fundo de tanta impotência, retirar a potência? Poderíamos, neste caso radical, buscar aprender que potência e impotência não se opõem, mas se completam e reforçam mutuamente? Sustentar-se-iam as palavras de Nietzsche de que é do fundo de nossa impotência que extraímos nossa potência superior e de que o mais assustador pode trazer em si o mais promissor? Poderíamos pensar os corpos cansados como ainda não esgotados na busca de si e em sua própria duração? Que trilhas eles poderiam ainda percorrer no espaço que lhes foi barrado de passar e fazer passar? Pode-se ainda extrair uma vida daquelas formas marcadas pelos golpes da cura que caracterizaram o seu viver? O que resta, ali, para que se possa encontrar uma saúde no sofrimento? O que ainda poderiam estes corpos que não agüentam mais e precisam defender-se do que é mais grosseiro e que tende a fazê-los sofrer na calma inércia? O que podem estes corpos quando olhados desde o regime do sutil, quando olhados naquilo que neles se move e conecta-se ao seu próprio desenvolver-se? O que podem os corpos quando olhados desde o seu impossível? (GALLI, 2005). http://www.facebook.com/SuperficiesDosPorosAoSopro

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Ministro da Justiça diz que prefere morrer a cumprir pena em prisões brasileiras

 Durante encontro com empresários paulistas, José Eduardo Cardozo classificou condições do sistema penitenciário brasileiro como "medievais"
 O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse na tarde de hoje (13), na capital paulista, que prefere a morte a uma longa pena no sistema prisional brasileiro, porque as condições nos presídios nacionais são medievais. “Se fosse para cumprir muitos anos em uma prisão nossa, eu preferiria morrer”, disse Cardozo durante um encontro com empresários paulistas .

Vejam mais no link:

http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2012-11-13/ministro-da-justica-diz-que-prefere-morrer-a-cumprir-pena-em-prisoes-brasileiras.html

terça-feira, 30 de outubro de 2012

CARTA DE REPÚDIO À PROPOSTA DE INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA DE ADULTOS PELA PREFEITURA DO RIO DE JANEIRO

Nós, entidades e movimentos sociais que integram a Frente Estadual de Drogas e Direitos Humanos do Rio de Janeiro (FEDDH), articulada com a Frente Nacional de Drogas e Direitos Humanos (FNDDH), viemos a público repudiar as últimas declarações do prefeito da cidade do Rio de Janeiro sobre a continuidade e expansão da política de internação compulsória, que agora, além das crianças e adolescentes em situação de rua, deverá incluir adultos.
Defendemos uma
política inclusiva, humanizada, não discriminatória e que garanta o direito à saúde, à liberdade, à integridade e à dignidade das pessoas em situação de rua, em uso de drogas ou não, em oposição às medidas da atual administração municipal de defesa da ordem pública travestidas por um discurso de proteção ao direito à saúde e à vida dos usuários de drogas. Somos contrários às operações de recolhimento e à utilização abusiva e indiscriminada das internações compulsórias que, ademais de tratar essas pessoas de forma massificada e expô-las a toda forma de abuso, negligência, maus tratos e violência, consomem os recursos públicos que deveriam estar sendo utilizados para financiar os serviços abertos, inclusivos, de base comunitária, investir nos recursos humanos adequados para tanto e viabilizar a construção de projetos terapêuticos individualizados que promovam a autonomia, a cidadania e a inclusão social.
Alinhados aos princípios da Reforma Psiquiátrica brasileira, r
epudiamos as medidas baseadas na ampliação de leitos psiquiátricosem instituições asilares ou fechadas, estigmatização, privação de liberdade e institucionalização e exigimos o cumprimento do disposto no Artigo 4º da Lei 10.216/2001 que estabelece que "A internação, em qualquer de suas modalidades, só será indicada quando os recursos extra-hospitalares se mostrarem insuficientes".
Atualmente, a cidade do Rio de Janeiro possui um CAPSad (Centros de Atenção Psicossocial para usuários de álcool e outras drogas) para cada um milhão e 200 mil habitantes. Para que se tenha uma ideia, no município de Recife essa proporção é de um CAPSad para cada 250 mil habitantes. Entendemos que o redirecionamento de recursos para o financiamento de internações compulsórias, além de atingir o direito dessas pessoas a receber atenção integral em serviços orientados à reinserção social, contraria as diretrizes preconizadas nas políticas nacionais de saúde mental, assistência social e combate à tortura e fere os compromissos assumidos pelo Brasil na prevenção, promoção e proteção da saúde mental e dos direitos humanos.
Como entidades e movimentos sociais com atuação nos campos da infância e adolescência, saúde, assistência social, cultura, educação, esporte, luta antimanicomial, movimento negro, população em situação de rua, egressos penais e nos conselhos profissionais e universidades, defendemos a necessária ampliação e fortalecimento da rede pública de políticas sociais, em conformidade com o aparato legal e institucional regulamentados pelos Conselhos Nacionais e Ministérios da Saúde, Desenvolvimento Social e Combate a Fome e demais instâncias existentes.
Exigimos:
A ampliação e o fortalecimento da rede de atenção psicossocial, com a abertura de mais CAPS, CAPSad, CAPSi, principalmente na modalidade III (24 horas) e outros serviços da rede que possam prover cuidados de urgência, emergência, atenção hospitalar, Residências Terapêuticas, Centros de Convivência e Unidades de Acolhimento Infanto-Juvenil e de Adultos;
O incremento das equipes da Estratégia de Saúde da Família e dos Consultórios na Rua, bem como dos NASF (Núcleo de Apoio à Saúde da Família), como estratégia prioritária no trabalho com os usuários de drogas, diretamente nos seus territórios;
A ampliação da rede de serviços da assistência social, em cumprimento à Tipificação Nacional dos Serviços Socioassistenciais instituída na Resolução 109 do CNAS, como, por exemplo, os CREAS (Centros de Referência Especializados da Assistência Social) e o CENTRO POP.
Garantia de financiamento de políticas públicas nas áreas de cultura, educação, esporte e lazer com a criação de projetos e programas que tratem a questão de forma transversal em parceria com escolas, universidades, Pontos de Cultura, Segundo Tempo, entre outros.
Da mesma forma, exigimos que, na atenção e no desenvolvimento de ações pelo poder público junto à população de rua identificada como usuária de crack e outras drogas, haja consonância com os princípios da atenção integral e da intersetorialidade das diferentes políticas (educação, trabalho, habitação, esporte e lazer, cultura, saúde, assistência social, dentre outras), garantindo o acesso da população aos diferentes direitos. As políticas públicas voltadas a esta parcela da população devem respeitar a dignidade e a garantia dos direitos humanos, não sendo pautadas na repressão e na segregação.
Existem alternativas concretas para o atendimento humanizado e pautado na garantia de direitos da população. A Frente Estadual Drogas e Direitos Humanos cobra das autoridades públicas a abertura de espaços de diálogo e interlocução com os diferentes atores sociais, procedimento apropriado no Estado Democrático de Direito.
Rio de Janeiro, 24 de outubro de 2012.
Frente Estadual Drogas e Direitos Humanos – Rio de Janeiro
ABL
ABGLT
Coletivo de Mulheres Feministas
ABRASME
Centro Nacional de Defesa dos Direitos Humanos da População de Rua e de catadores de material reciclável - CNDDH/RJ
CRESS/RJ-Conselho Regional de Serviço Social
CRP/RJ-Conselho Regional de Psicologia
Grupo Tortura Nunca Mais/RJ
Justiça Global
Movimento D'ELLAS
Movimento Nacional de População de Rua-MNPR
NEPS/Faculdade de Serviço Social/UERJ
Núcleo Estadual do Movimento da Luta Antimanicomial
Projeto Tranversões-ESS/UFRJ
Rede Rio Criança
Assinam também:
Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da ALERJ
Conselho Federal de Psicologia - CFP
Conselho Federal de Serviço Social – CFESS
KOINONIA
 
Maria Helena Zamora – Professora do Instituto de Psicologia da PUC/RJ
29 de outubro de 2012

Relatório Final: “Rumos da saúde no sistema penitenciário: para onde vamos?



Prezados (as)



A Secretaria Executiva do Fórum Permanente de Saúde no Sistema Penitenciário do Estado do Rio de Janeiro (FPSSP-RJ), integrada pelos Conselhos Regionais de Psicologia (CRP-RJ), de Serviço Social (CRESS-7ª Região), de Nutricionistas (CRN4), pelo Conselho Estadual de Saúde (CES) e pela Associação de Servidores da Saúde e Assistência Penitenciária da SEAP-RJ (ASSAP) realizou no dia 21 de agosto de 2012, na Ordem dos Advogados do Brasil - Rio de Janeiro (OAB-RJ), o primeiro Seminário ‘Rumos da saúde no sistema penitenciário do Rio de Janeiro: para onde vamos?’.
O Seminário foi aberto a profissionais e instituições que se interessam pelo tema, principalmente os profissionais de saúde e assistência que trabalham na Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP) e na Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro (SES). Além disso, foi de caráter propositivo e teve como objetivo contribuir para o processo de controle social e construção de propostas que garantam a dignidade e condições de trabalho para os profissionais e a atenção à saúde da população privada de liberdade. Coube à secretaria do FPSSP divulgar para a sociedade o relatório final com as propostas resultantes do seminário e encaminhá-las aos gestores estaduais e nacionais como contribuição dos trabalhadores de saúde para a implementação da política de saúde no sistema penitenciário do Rio de Janeiro. Participaram do seminário cerca de 80 pessoas.
No período da manhã, iniciaram-se as atividades do seminário com a mesa de abertura, coordenada pelo psicólogo Cristiano Rodrigues de Freitas (CRP-05/30640), com a presença dos seguintes convidados: o Coordenador Nacional de Saúde no Sistema Prisional do Ministério de Saúde, Marden Marques Soares Filho, o Subsecretário Adjunto de Tratamento Penitenciário da Secretaria de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro (SEAP), Dr. Moises Júlio Bormac, da Subsecretária Interina de Atenção à Saúde da Secretária de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, Drª Mônica Almeida, do representante do Conselho Estadual de Saúde do Estado do Rio de Janeiro (CES) Sr. Urquilei dos Santos Pinheiro e da representante da Secretaria Executiva do Fórum Permanente de Saúde no Sistema Penitenciário do Estado do Rio de Janeiro (FPSSP-RJ), psicóloga Márcia Badaró (CRP-05/2027). Nesse momento, os convidados puderam apresentar suas informações e contribuições sobre o tema da saúde no sistema prisional do Rio de Janeiro. O público, por sua vez, pode tirar dúvidas e apresentar seu ponto de vista sobre como vem se dando a saúde no sistema penitenciário atualmente, como por exemplo, a não resolução dos graves problemas de saúde da população prisional e das precárias condições de trabalho dos profissionais de saúde, já apontados na audiência pública de 17 de abril, na ALERJ. A representante do Ministério Público, Drª Anabelle M. Silva, apresentou as iniciativas tomadas para investigar a utilização do Fundo Estadual de Saúde destinado ao Plano Nacional de Saúde do Sistema Penitenciário (PNSSP), pelos gestores da SEAP e da SES. Por sua vez, o representante do Conselho Estadual de Saúde (CES) denunciou que as decisões referentes ao PNSSP não têm sido enviadas a este Conselho para sua apreciação e deliberação, contrariando as normativas que instituem as atribuições do CES. O representante do Ministério da Saúde (MS) apresentou o mapeamento dos estados brasileiros nos quais o PNSSP está em funcionamento e os que ainda faltam ser efetivados, bem como a proposta do MS de transformar o PNSSP em uma política nacional pautada nos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS).
 No período da tarde, os coordenadores do Seminário propuseram ao público que se dividisse em três grupos de trabalho (recursos humanos, gestão da saúde, controle social) com o objetivo de formular propostas para a gestão integrada da saúde no sistema prisional (SES e SEAP), submetendo-a a apreciação do CES.
Após intensos debates o público fez várias propostas, por exemplo: 

1ª - Que a SES apresente no próximo Fórum as iniciativas tomadas para sanar a falta de médicos no Sanatório Penal, e o mapeamento realizado por ela nas unidades prisionais;
2ª - Que as visitas às unidades prisionais sejam feitas em conjunto pela SES, SEAP, CES, Conselho da Comunidade e Mecanismo de Prevenção e Combate a Tortura.
3ª – Que seja feita a inclusão das nutricionistas na Política Nacional de Saúde no Sistema Prisional;
4ª – Que o Plano de Carreira, Cargos e Salários seja implantado urgentemente.

Para saber mais vejam o relatório na integra na janela legislação!!!

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Criação da Câmara Têcnica do Sistema Prisional do Estado do Rio de Janeiro




O Fórum Permanente de Saúde no Sistema Penitenciário do Rio de Janeiro ( FPSSP-RJ), dando continuidade ao Seminário “Rumos da saúde no sistema penitenciário: para onde vamos?  realizado em 21 de agosto de 2012, na OAB-RJ, lembra que uma das propostas encaminhadas pelos participantes do Seminário foi a criação de uma Câmara Técnica com vistas à efetivação do Plano Nacional de Saúde no Sistema Penitenciário. Como ponta-pé inicial para tal ação o FPSSP fará a 1ª reunião para a construção da Câmara Técnica que terá como finalidade  discutir seus  objetivos e seu modo de funcionamento. Essa reunião que envolve gestores e profissionais da área técnica da SEAP e SES será um passo em direção a implantação efetiva da atenção básica de saúde nos presídios do estado do Rio de Janeiro. O encontro está marcado para o dia 1º de outubro de 2012, às 14hs,  na Escola de Gestão Penitenciária (Rua Senador Dantas, 15, sala 1001. Centro, RJ).





Secretaria Executiva do Fórum Permanente de Saúde no Sistema Penitenciário do Rio de Janeiro ( FPSSP-RJ).

domingo, 2 de setembro de 2012

Presidenta Dilma encaminha ao Congresso Nacional alteração na Lei 5766/71

Anúncio foi feito durante Sessão Solene comemorativa aos 50 anos da profissão, no plenário da Câmara dos Deputados 

 

A presidenta Dilma Rousseff encaminhou nesta sexta-feira (31/8) ao Congresso Nacional o Projeto de Lei que altera a Lei n° 5766, de 1971, que incorpora processos democráticos já em funcionamento no Sistema Conselhos.  A proposta é resultado de uma ampla discussão que envolveu toda a categoria e obteve parecer favorável do conjunto do Governo.
O Projeto de Lei democratiza o Sistema Conselhos, incorporando o Congresso Nacional de Psicologia (CNP) ao sistema e traz a APAF (Assembléia das Políticas Administrativas e Financeiras) para dentro da Lei. O projeto inclui, ainda, a eleição direta para os conselhos Regional e Federal.
O anúncio foi feito pelo secretário de Articulação Social da Presidência da República, Paulo Maldos, durante a Sessão Solene em Homenagem aos 50 anos da Psicologia, no Plenário Ulysses Guimarães. Paulo Maldos representou a presidenta na solenidade e destacou o esforço para que o projeto chegasse ao Congresso neste dia. “Esse projeto tem um esforco democratizante. A presidenta fez questão de que ele estivesse no Congresso hoje, para reafirmarmos a condição da Psicologia como parceira estratégica na agenda pelos direitos humanos. Psicólogas e psicólogos podem e devem exercer a crítica às políticas públicas para qualificar a subjetividade individual e coletiva”, afirmou. Segundo ele, a tramitação na Câmara serrá feita em caráter de urgência.
Para o presidente do Conselho Federal de Psicologia, Humberto Verona, a alteração é extremamente significativa. “A Lei não correspondia aos avanços nos processos de decisão que jpa faziam parte do Sistema Conselhos”, disse.
A vice-presidente do CFP, Clara Goldman, afirma que este é um momento de reconhecimento. “A alteração da Lei vem legitimar  o processo democrático do Sistema Conselhos. Com esse encaminhamento, a presidenta nos diz: caminhem, avançem e isso é de extrema importância para nós.”
Sessão Solene
A Sessão Solene no Plenário da Câmara dos Deputados marcou as comemorações de 50 anos de regulamentação da profissão no Poder Legislativo. A sessão foi presidida pela deputada Erika Kokay (PT-SP) que é psicóloga e teve à mesa o presidente do Conselho Federal de Psicologia, Humberto Verona, a presidente da Federação Nacional dos Psicólogos (FENAPSI), Fernanda Magano, o secretário nacional de Articulação Social da Presidência da República, Paulo Roberto Martins Maldos e a psicóloga escolar do Sinpro-DF, Vanuza Sales.
Simbolizando o compromisso da luta antimanicomial, o CFP homenageou a psicóloga Silvia Maria Ferreira, usuária de Saúde Mental.Em seu discurso, Silvia afirmou reconhecer a parceria e atuação do Conselho na luta. “Infelizmente, mesmo depois de ouvir todas estas  falas, sabemos que ainda há muitos internados nos hospitais psiquiátricos, as cadeias funcionam com a mesma lógica excluindo e matando as pessoas. Gostaria que a verdade, segundo o estatuto dos homens, seja servida antes da sobremesa neste País”, finalizou.
Após manifestação de Humberto Verona, a deputada Erika Kokay, que é vice-presidente Comissão de Direitos Humanos da Câmara, vai sugerir diligência à fronteira do Brasil com a Venezuela para apurar e acompanhar as investigações do massacre ao povo Yanomami, que aconteceu em julho, e só divugado esta semana. A deputada também vai protocolar uma moção de solidariedade aos psicólogos do Conselho Estadual de Direitos Humanos da Paraíba que foram presos na última terça-feira (28/8), durante visita ao Complexo Penitenciário PB1/PB2, em João Pessoa.

Nota de Repúdio

CFP manifesta apoio a conselheiros presos

 

NOTA DE REPÚDIO À VIOLÊNCIA EXERCIDA CONTRA O CONSELHO ESTADUAL DE DIREITOS HUMANOS DA PARAÍBA


 O Conselho Federal de Psicologia, por meio de sua Comissão Nacional de Direitos Humanos, torna pública sua indignação e repúdio frente ao constrangimento e detenção arbitrária impostos à equipe do Conselho Estadual de Direitos Humanos da Paraíba (CEDH/PB) no último dia 28/8/2012, quando da visita de fiscalização ao Complexo Penitenciário PB1/PB2, em João Pessoa.
Na ocasião, em consonância com o disposto na Lei Estadual 5.551/92, conselheiros do CEDH/PB diligenciaram inspeção junto ao presídio face às reiteradas denúncias de tortura e outras violações aos direitos humanos daquela população carcerária. Cabe destacar que o relatório técnico produzido pela equipe que realizou a vistoria narra e ilustra com fotos situações de extrema degradação, como 80 presos em uma cela, sem colchões, mantidos nus, com o chão molhado. Além do exposto, diversos apenados apresentavam marcas no corpo. Em meio à inspeção e, sob o argumento de que faziam fotos sem autorização, a equipe recebeu voz de prisão, sendo impedida de sair da penitenciária por várias horas.
O CEDH/PB é uma instituição combativa, historicamente reconhecida por sua incansável atuação na promoção e defesa dos direitos humanos no Estado da Paraíba. Dentre as suas atribuições estão o acesso a unidades prisionais para diligências, vistorias, exames e inspeção, não sendo cabíveis nem admissíveis quaisquer atitudes que, ilegalmente, constranjam o corajoso trabalho de seus defensores de direitos humanos. Tais violências, operadas por agentes do Estado e com a anuência deste, evidenciam-se claramente incompatíveis com o Estado Democrático de Direito.
Diante do exposto, esperamos a efetivação das medidas cabíveis apurando com rigor e efetiva responsabilização dos atos arbritrários praticados pela direção do Complexo Penitenciário PB1/PB2 e manifestamos a mais profunda solidariedade ao Conselho Estadual de Direitos Humanos da Paraíba. Reafirmamos a preocupação e esforços deste Conselho Federal de Psicologia com vistas à afirmação da vida e da dignidade humana.

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA